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Enviado por: Webmaster


Quantos João? Quantas Maria?


Sergio Miranda

 


"...Porque tem homem da Lei, que vira homem mau,
quando ele vem pra salvar e sai matando geral..."

                                 (Leandro Sapucahy - Música: Polícia e Bandido)


      "Certa vez fui designado para fazer a seleção de recrutas para a corporação. O Governador havia prometido colocar 2.000 novos policiais nas ruas para conter a violência.

      Comecei a fazer o trabalho como deve ser feito, avaliação psicológica, vocacional, investigar a vida e o caráter de cada um (pois muitos se inscrevem com a única intenção de fazer da carteira de policial um passaporte para roubar e matar impunemente...), tudo da forma técnica e necessária para se formar uma boa polícia.

      Após um mês de trabalho, recebi a visita de um superior que revelou a insatisfação dos políticos com o meu trabalho, pois tinham prometido 2.000 homens e "da maneira como eu estava selecionando, dentro do prazo requerido não teria mais que 200 novos recrutas".

      Respondi, então, que preferia 200 verdadeiros policiais nas ruas, que 2.000 desequilibrados. Conclusão: no dia seguinte fui afastado do comando da seleção e o outro designado para o meu lugar integrou em 15 dias 2.000 novos soldados na corporação.

      Foi quando refleti, fiz minhas contas e concluí que já tinha completado o tempo necessário de serviço para pedir minha reforma e a pedi, pois apesar de acreditar e prezar muito a corporação, saber que tem muita gente esforçada tentando prestar um bom serviço à população, são impedidos de o fazerem pela irresponsabilidade dos políticos, que não estão interessados em proteger a população e sim em fazer valer a todo custo o populismo. Prometeram 2.000 policiais, têm que ficar bem com os eleitores.

      Abra inscrição e aprove todo mundo que se inscrever. Uma grande parte é desequilibrada, corrupta, mal-intencionada? Problema da população! Eles prometeram colocar 2.000 homens e estão cumprindo. Se estes homens prestam, ou não, não é problema deles. Eles prometeram um número, não qualidade. E "cumpriram".

      Cheguei à triste conclusão de que não poderia fazer mais nada como policial e me aposentei, com a certeza de que as coisas ainda ficarão muito piores do que estão hoje".

      Ouvimos este relato de um amigo, coronel reformado da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, há mais de quinze anos. E nunca esquecemos. Temos acompanhado, durante todos esses anos, os trágicos acertos das amargas e "proféticas" palavras do nosso amigo e a desfaçatez dos diversos governos que por aqui passaram, brincando de fazer política com a NOSSA segurança, ao invés de trabalharem seriamente no desenvolvimento de uma política de segurança pública.

      Durante os quinze anos do Carranca, nós sempre alertamos as autoridades responsáveis sobre o aumento exponencial da violência vivida nos bairros pobres e nas favelas. Acompanhávamos, com preocupação, o avanço que se expandia e chegaria, como chegou, às classes média e alta, que pensavam estar seguras por poderem pagar uma segurança particular e morar em condomínios fechados, com carro blindado, etc.

      O noticiário atual dá conta de que não somos loucos, nem exagerados. A irresponsabilidade oficial está agora contabilizando os frutos de seus atos, às custas do sacrifício da população. Pobre Engenheira, pobre João Roberto, pobres Marias e Josés que morrem anonimamente nos becos e vielas das favelas vitimados por balas perdidas e achadas. Pobres de suas famílias, pobres de nós, que estamos na linha de tiro, tirando no "par ou impar" quem será a próxima vítima.

      Pobres desses soldados, envolvidos em todos esses casos. Coitados deles sim! Pois suas vítimas são vítimas também de seu medo, seu despreparo e desequilíbrio. Estes soldados também são vítimas de governos populistas que, ao invés de prepará-los e remunerá-los decentemente, os orienta e incentiva ao confronto direto sob a égide do "Auto de Resistência". Mate antes, pergunte depois. E se o defunto não confessar nada, dê dois tiros nele. Depois, põe uma "vela" e registra que o "meliante" atirou antes e sua morte foi em legítima defesa, em "auto de resistência", com as bênçãos do Governo do estado.

      Mas, vez por outra dá errado. Como explicar que uma engenheira bem empregada, de classe média alta, revidou à abordagem policial com tiros de "22"? "Babou, galera, some com o corpo, pois o "mestre" Leopoldo Heitor provou que sem cadáver, não há crime".

      Como explicar que um menino de três anos lançou uma mamadeira-granada sobre os policiais e foi assassinado por isto? "Babou, governador..." Explica para a tropa que a lei do confronto é só para favelas, que no asfalto pode fazer muito barulho e cheirar mal...

      Um Cabral descobriu um Brasil. Está na hora do outro Cabral descobrir que não está mais na Assembléia Legislativa. Que está no comando do estado e tem que assumir responsabilidades. Que não dá mais pra ser omisso ou viajar para que o vice tome as decisões mais incômodas e anti populares. A Esfinge da Violência urbana adverte: "DECIFRA-ME, OU TE DEVORO!".

      Nós, do Jornal CARRANCA, sempre pedimos uma policia bem selecionada, dos melhores extratos da sociedade, mas muito bem paga, bem instruída, bem fardada e protegida pelos melhores planos de cobertura previdenciária. Uma polícia cidadã, sem medo, inteligente, forte, física e moralmente. Há quinze anos, o nosso amigo, hoje coronel reformado, foi impedido de fazer um trabalho correto e inteligente. Ele queria 2000 soldados que preenchessem os requisitos enunciados, não lhe foi possível.

      A força da demagogia e do populismo derrubou-o, cortou-lhe o sonho de melhorar o padrão moral e físico da tropa. Esse mesmo populismo, que transforma Partidos Políticos em quadrilhas aliadas com empresários, compromete o governo - que obviamente não sabe nada -  está contaminando e destruindo as nossas instituições.

O Haiti é aqui?


Força-sem-tarefa: Estrada do Itararé (um dos acessos ao Com-plexo do Alemão), trincheiras de ponta a ponta.

 
Sergio Miranda é Web Designer, Jornalista, Professor Universitário na Cadeira de Computação Gráfica e Diretor do Jornal Carranca

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